Jornalista e ativista dos direitos LGBT+ Yıldız Tar foi para a prisão
“A prisão de jornalista que defende os direitos LGBT+ é uma tentativa de intimidar todo o movimento LGBT+, a mídia independente e a luta pelos direitos humanos.”
Jornalista e ativista dos direitos LGBT+ Yıldız Tar foi para a prisão.
A jornalista e editor-chefe do jornal Kaos GL, Yıldız Tar, que foi alvo de detenção durante buscas domiciliares realizadas na manhã de 23 de junho como parte de uma investigação conduzida pela Procuradoria-Geral de Ancara, foi formalmente prese pelo juizado de instrução para o qual foi encaminhada com um pedido de prisão.
Entre as 103 pessoas preses na investigação, conhecida publicamente como “operação OTAN”, estão a professora associada Emel Memiş da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Ancara, Burcu Arıkan, uma das porta-vozes do Umut-Sen, e Hediye Yıldırım, membro do conselho geral de diretores da Halkevleri.
Segundo o Kaos GL, não foram feitas perguntas a Tar sobre a OTAN durante o interrogatório. Em vez disso, Yıldız foi questionade sobre as políticas do governo no âmbito do programa “Ano da Família” anunciado para 2025.
O pedido de prisão da procuradoria incluiu a alegação de que os suspeitos “podem cometer atos terroristas para transformar a Turquia em um país associado ao terrorismo.”
Sindicato dos Trabalhadores da Imprensa DİSK: Fortaleceremos a solidariedade
O Sindicato dos Trabalhadores de Imprensa, Edição e Gráficas da Turquia (DİSK Basın-İş) fez a seguinte declaração sobre a prisão de Tar:
“Não aprovamos as prisões de dezenas de pessoas, incluindo a jornalista e editor-chefe do Kaos GL, Yıldız Tar, que foram detides durante as operações realizadas antes da cúpula da OTAN. O fato de nosso/a colega ter sido questionada durante o interrogatório sobre as políticas do governo no âmbito do programa ‘Ano da Família’ é uma evidência clara de que este processo tem motivações políticas.”
“Continuaremos nossa solidariedade de forma mais resoluta e organizada na luta contra as tentativas de criminalizar as atividades e declarações jornalísticas no âmbito da liberdade de pensamento e expressão, bem como contra as tentativas de silenciar os dissidentes através do sistema judicial. Yıldız Tar é jornalista; jornalismo não é crime!”
Associações LGBT+: Yıldız Tar não é apenas jornalista
Quinze associações LGBT+ na Turquia também emitiram uma declaração conjunta após a prisão de Tar, afirmando que essa decisão se tornou “um novo elo na cadeia de repressão política que há muito tem como alvo os defensores dos direitos humanos, os jornalistas, o movimento feminista, o movimento LGBT+ e a oposição democrática”, e resumiram sua posição da seguinte forma:
“Yıldız Tar não é apenas jornalista. Durante anos, Yıldız tem estado envolvida na defesa dos direitos humanos, documentando crimes de ódio, expondo a discriminação, documentando violações dos direitos humanos sofridas por pessoas LGBTQ+ e informando o público. Sua prisão não significa apenas a privação da liberdade pessoal. Esta decisão traz uma mensagem política destinada a suprimir o jornalismo independente, encobrir as violações dos direitos humanos e privar o público do direito à informação.”
“Em um país onde jornalistas são punidos, a sociedade não pode descobrir a verdade. Em um país onde defensores dos direitos humanos enfrentam perseguição, não se pode falar de igualdade e democracia. A prisão de jornalista que defende os direitos LGBT+ não é apenas um ataque a uma pessoa, mas uma tática de intimidação direcionada a todo o movimento LGBT+, à mídia independente e à luta pelos direitos humanos. Mas sabemos que a verdade não pode ser prese. A solidariedade não pode ser criminalizada. A luta pelos direitos humanos não pode ser silenciada por decisões judiciais.”
Nós, as organizações abaixo assinadas:
- Exigimos a libertação imediata de Yıldız Tar.
- Exigimos o fim das práticas ilegais que servem de base para detenções e prisões.
- Exigimos o fim da criminalização das atividades jornalísticas, do ativismo pelos direitos humanos e dos esforços para organizar movimentos democráticos.
- Exigimos a garantia da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e do direito de associação.
“Continuaremos a fortalecer a solidariedade na luta contra políticas repressivas direcionadas a jornalistas, defensores dos direitos humanos, feministas, advogados, acadêmicos, sindicatos, organizações de trabalhadores e à oposição democrática. Porque sabemos que o ataque de hoje à liberdade de Yıldız Tar é um ataque a todos os nossos direitos e liberdades fundamentais. Yıldız Tar não está só. Jornalismo não é crime. Defender os direitos LGBT+ não é crime. Defender os direitos humanos não é crime. Yıldız Tar deve ser libertade imediatamente!”
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