Guatemala condena sete ex-policiais no caso do assassinato de um casal gay

Um tribunal na capital da Guatemala condenou, em 21 de outubro de 2026, sete ex-policiais no caso de dois homens que formavam um casal e morreram após serem detidos em 2024. A AFP relata o veredicto em publicação do La Nación. As penas vão de oito a 60 anos de prisão.
Dois réus receberam 60 anos cada um por execução extrajudicial, sendo 30 por vítima. Outro ex-agente foi condenado a 30 anos pela morte de um dos homens e absolvido quanto à morte do outro, esclarece o Prensa Libre.
Duas ex-policiais receberam onze anos cada uma por discriminação e descumprimento dos deveres funcionais. Os outros dois receberam oito anos por abuso de autoridade e detenção ilegal, e dez anos por obstrução da ação penal e descumprimento de deveres.
O caso envolve Milton Nelson Santamaría, que tinha cidadania canadense e salvadorenha, e seu companheiro guatemalteco, Eldin Choc. Eles foram detidos em 18 de abril de 2024 em San Andrés Itzapa, no oeste do país, e levados a uma delegacia. A organização Cristosal, que representou a família de Choc, afirma que a detenção foi ilegal.
Segundo a Cristosal, testemunhas descreveram espancamentos e insultos homofóbicos depois que os homens disseram ser um casal. Santamaría morreu após ser espancado na delegacia, e o corpo de Choc foi encontrado sete dias depois. Mensagens de áudio de uma policial sobre o que ocorria ajudaram a iniciar as investigações.
A defesa pediu a absolvição, alegando insuficiência de provas da participação dos réus nos crimes, informou o La Hora antes do veredicto. O tribunal fixou as penas conforme a responsabilidade comprovada de cada ex-agente.
A Cristosal considera o crime motivado por preconceitos e observa que a Guatemala não tem um tipo penal específico para crimes de ódio. Essa é a avaliação da organização que representou a família de uma vítima; as condenações foram por execução extrajudicial, discriminação e outros delitos.
A Urania já havia noticiado o monitoramento regional de assassinatos de pessoas LGBT na América Latina. A Associação Lambda, da Guatemala, também participa desse trabalho.


