Projeto dos EUA que preserva a história de pessoas LGBT religiosas celebra 25 anos

O projeto americano LGBTQ Religious Archives Network (LGBTQ-RAN), dedicado à história de pessoas LGBT religiosas, celebrou seu 25º aniversário em 18 de outubro de 2026 com um evento on-line chamado Sacred Rebels — «Rebeldes sagrados». A organização reconheceu a contribuição de lideranças religiosas que trabalharam pela participação de pessoas LGBT na vida de suas comunidades de fé, informa o Washington Blade.
O programa oficial apresenta cinco principais homenageados: o pastor William Johnson, a rabina Sharon Kleinbaum, a pastora e teóloga Irene Monroe, Chris Paige, da área de capelania inter-religiosa, e a ex-dirigente das Igrejas da Comunidade Metropolitana (MCC), Nancy Wilson.
Em 1972, Johnson tornou-se a primeira pessoa assumidamente gay ordenada na Igreja Unida de Cristo (UCC), segundo sua biografia no arquivo. Kleinbaum liderou durante 32 anos a congregação Beit Simchat Torah, de Nova York, voltada a fiéis LGBT; hoje é sua rabina sênior emérita. Wilson esteve à frente das MCC de 2005 a 2016.
Os organizadores também reconheceram três representantes de uma nova geração: Adalphie Johnson, pastora da Community Church of Washington, DC; Samuel Ernest, fundador da Homodoxy, editora de teologia e literatura LGBT; e Sapna Pandya, organizadora comunitária que, entre outras atividades, conduz casamentos inclusivos baseados em rituais hindus.
O LGBTQ-RAN surgiu em 2001 como projeto do Chicago Theological Seminary. De 2008 a 2020, funcionou no Center for LGBTQ & Gender Studies in Religion, em Berkeley, e tornou-se uma organização beneficente independente em 1º de julho de 2020. Como explica o próprio projeto, é um arquivo virtual: ajuda pessoas e comunidades a encaminhar documentos a instituições adequadas, em vez de reunir acervos em papel em um prédio próprio.
Seu site oferece biografias de figuras religiosas, entrevistas em áudio e transcrições, exposições on-line e um catálogo de coleções arquivísticas com a indicação de onde estão guardadas. Esses recursos também são descritos em uma resenha do projeto digital publicada na plataforma da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY).
A organização também preparou um guia prático de preservação de arquivos: quais documentos pessoais guardar, como preparar arquivos digitais e materiais de redes sociais, escolher uma instituição e considerar a privacidade. Ele se destina a pessoas e grupos que desejam tornar sua história acessível a pesquisadores.
A Uránia já havia noticiado a incorporação do arquivo de história oral da GMHC, organização de apoio a pessoas com HIV, às coleções especiais da Biblioteca Pública de Nova York.


